A luta de Dempsey e El Toro Salvaje ou Mahler regido por Strauss?

Escolher qual dos eventos teria sido mais importante no ano de 1923 é o mote de uma disputa entre dois personagens de Martín Kohan (1967) em Segundos Fora (2005), um dos seis romances do autor argentino, autor também de livro de contos e ensaios. Em primeiro plano na trama de Segundos Fora, os colegas jornalistas Ledesma e Verani debatem qual seria o evento mais importante, a luta entre Jack Dempsey e Luis Ángel Firpo, conhecido como El Toro Salvaje de las Pampas, ou a apresentação da primeira sinfonia de Gustav Mahler regida por Richard Strauss no Teatro Colón, em Buenos Aires. Ambos ocorridos em setembro de 1923, disputam para ser matéria da reportagem de capa de uma edição comemorativa dos 50 anos do jornal em que trabalham, lançado no ano em questão. A discussão envolve não só um embate entre os personagens e suas predileções pela cultura popular ou erudita, mas visões diferentes de mundo e da Argentina – embora valha lembrar a declaração do autor ao jornal The Guardian, por ocasião da publicação deste romance nos Estados Unidos, que a ideia de representar um país “vai contra o que diz neste romance, que é tentar desativar a ilusão de nacionalidade”. Continue lendo ›

Moema Vilela em carreira solo

Se fosse um cantora, diríamos que depois de alguns discos em conjunto ela inicia carreira solo. Mas a Moema Vilela canta só após algumas cervejas, e não são exatamente músicas de bom gosto (eu sei por que já cantei junto um par de vezes). Por sorte, a Moema, com quem me alterno neste espaço, é das Letras. E ela agora tem até site – www.moemavilela.com. E também book trailer. Tudo por causa de Ter saudade era bom seu livro de estreia, de contos. Doutoranda em Escrita Criativa na PUCRS, a Moema nasceu no Mato Grosso do Sul, e Ter saudade era bom foi publicado com recursos do Fundo Municipal de Investimentos Culturais de Campo Grande (MS). A seguir ela solta a voz, ou as mãos, para falar de seu primeiro livro solo.

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Os cadernos de Joan Didion

Premiado na categoria de não-ficção no National Book Award em 2005, O ano do pensamento mágico, de Joan Didion, trata da perda do marido e das dificuldades de lidar com a filha, Quintana, no enfrentamento de uma doença que se mostrou fatal. Didion começa o livro com as primeiras frases que escreveu no caderno de anotações depois que o marido morreu, após quarenta anos de casados, no meio de uma frase e de um copo de whisky, antes do jantar.

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Feira Além da Feira: as ideias de Gabriela Silva

Eu e a Gabriela Silva somos amigos de alguns anos, por causa da PUCRS, onde ela se doutorou em Teoria da Literatura. Também por causa de certas afinidades, como a morte (foi o tema do doutorado dela) e cachorros estropiados (ela adotou um). Mas a amizade não motiva essa entrevista. O motivo é que no ano passado a Gabriela teve uma daquelas ideias que fazem diferença: a Feira Além da Feira (www.feiraalemdafeira.com.br). Trata-se de “uma rede de parcerias solidárias”, que funciona como uma extensão da Feira do Livro. Bom, vou deixar a Gabriela explicar melhor.

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